Relacionamento

Assistir filmes eróticos: sozinho, a dois e a conversa que fica no meio

Alguns assuntos da vida sexual de um casal ficam fáceis assim que são ditos em voz alta. Este não é um deles. Pornô é um dos poucos temas em que duas pessoas que se amam podem sustentar posições completamente opostas e completamente razoáveis, e em que a conversa costuma começar já no meio de uma briga. Então não vamos fingir que é simples.

O atrito é real, e é comum

A versão mais frequente é esta: uma pessoa assiste sozinha e a outra sofre com isso. As duas metades são absolutamente comuns. Assistir sozinho é muito difundido e não significa que alguém deixou de desejar o parceiro ou parceira. E sentir uma pontada com isso não é ser careta, nem ciumento, nem controlador — geralmente vem de um lugar bem específico, e vale a pena escutar esse lugar.

Se você é quem se sente machucado: você não está sendo pouco razoável. Se você é quem assiste: você não está fazendo nada vergonhoso. As duas frases podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, e enquanto as duas não forem ditas, a conversa de verdade não consegue começar.

Quase nunca é sobre os vídeos

Quando os casais desatam esse nó, costumam descobrir que a briga estava no lugar de outra coisa:

  • Segredo. Muitas vezes a ferida não é o assistir, é o descobrir. Esbarrar naquilo por acaso é diferente de saber, mesmo quando a coisa em si é idêntica.
  • Comparação. "É isso que você preferiria?" é uma pergunta dolorida de carregar calada, e raramente é feita de frente.
  • Não ser suficiente. O medo silencioso de que a versão sozinha seja preferida à versão a dois — de estar em segundo lugar.

Repare que "então para com isso" não resolve nenhum dos três. Isso basicamente tira o comportamento de vista, o que, se o segredo já era a ferida, piora em vez de melhorar. Já essas três coisas são conversas que dá para ter de verdade.

Cada casal chega a um lugar diferente

Alguns decidem que é privado, que está tudo bem, e nunca mais pensam nisso. Outros preferem falar abertamente. Outros só assistem juntos. Outros decidem que não é para eles de jeito nenhum, e esse também é um lugar perfeitamente bom de chegar. Não existe aqui uma resposta certa que a gente pudesse entregar a vocês; quem diz o contrário está descrevendo o relacionamento dele, não o de vocês.

Se abrir o assunto parecer pesado, quase tudo do nosso texto sobre conversar durante o sexo vale igualmente para as conversas que vocês têm de roupa: perguntar em vez de presumir, dizer a parte constrangedora um tempo antes do confortável e deixar que saia imperfeito.

O que vocês estão vendo, na prática

Vale dizer com clareza, como observação e não como moral: o pornô mainstream é uma encenação. As posições são escolhidas pelo ângulo da câmera, não pela sensação. Uma cena gravada ao longo de várias horas é montada em poucos minutos, então nada dura tanto nem acontece tão fácil quanto a linha do tempo sugere. As pessoas ali fazem isso profissionalmente, com iluminação, direção e repetições.

Nada disso torna aquilo ruim. Só vira problema quando é lido como um documentário sobre como o sexo funciona. Medir o próprio corpo, a própria duração e as próprias reações contra o dia de trabalho editado de outra pessoa é onde começa muita insegurança silenciosa — em quem assiste e em quem está sendo comparado.

Onde e como vocês assistem também pesa

Nem tudo é produzido nas mesmas condições. Erotismo produzido de forma ética existe: intérpretes pagos direito, consentimento documentado, créditos com nome. Em geral custa alguma coisa, e é justamente esse o ponto. Pagar pelo que você assiste, em vez de pegar o que um agregador gratuito coloca na sua frente, é o jeito mais simples de direcionar sua atenção para produções que tratam bem quem aparece nelas.

Assistir junto como forma de conhecer o outro

E aqui está a parte que os casais subestimam. Assistir a algo junto dá a vocês uma coisa para apontar — e apontar é infinitamente mais fácil do que descrever.

Vocês aprendem com o que prende a atenção da outra pessoa, e aprendem tanto quanto com o que ela pula. Aprendem com o momento em que alguém fica quieto. Muita gente que jamais conseguiria começar uma frase com "eu sempre quis experimentar…" diz numa boa: "aquela parte ali, mas mais devagar".

Algumas regrinhas ajudam:

  • Controle remoto por perto. Pular algo é permitido e não é veredito sobre ninguém.
  • Ninguém precisa justificar uma reação. Sentir atração por algo é informação, não confissão.
  • Nomeiem com delicadeza. "Você gostou disso" é um convite. "Ah, então é isso que te agrada" é uma acusação.

O app ForePlay tem algumas tarefas nessa linha — achem algo de que os dois gostem e tentem a própria versão disso. E, como qualquer tarefa, ela pode ser pulada ou marcada como tabu se não for para vocês.

Se estiver ocupando o espaço de coisas que importam

A gente não vai entregar afirmações sobre cérebro e substâncias químicas; essa literatura é genuinamente contestada e vocês merecem mais do que um lado de um debate em aberto vestido de fato. O teste honesto é comportamental e bem mais simples: isso está tirando tempo, atenção ou vontade de coisas de que vocês realmente gostam, incluindo o sexo entre vocês, de um jeito que incomoda? Se sim, vale conversar, e vale conversar com um terapeuta se nada se mexer. Se não, provavelmente é só mais uma das coisas que a gente faz.

O objetivo não é concordar

Vocês não precisam terminar com o mesmo sentimento sobre isso. Só precisam conhecer o sentimento do outro. Seja assistindo juntos de vez em quando, deixando separado e sem drama, ou não fazendo nada disso: os casais que lidam bem com esse tema não são os de visão mais relaxada. São os que disseram a parte constrangedora em voz alta.