Dicas de sexo

Brinquedos sexuais a dois: um guia tranquilo para experimentar juntos

Vamos começar pela frase menos sedutora deste artigo: ninguém precisa de um brinquedo sexual. Muitos casais têm anos de sexo bom e conectado sem nunca terem tido um, e se esse é o caso de vocês, aqui não existe nenhuma lacuna a ser preenchida.

O que um brinquedo pode fazer é ampliar a gama do que vocês conseguem sentir juntos: sensações que mãos, bocas e corpos simplesmente não produzem sozinhos. O argumento é só esse. Não é conserto nem upgrade. É mais alcance.

Brinquedos não são "coisa de mulher"

A vitrine sugere o contrário, e o marketing também. Ainda assim, aqui tem algo para todo tipo de corpo. Vibração, pressão, sensação de preenchimento, textura — nada disso pertence a uma anatomia específica. Se um de vocês arquivou esse assunto todo, caladinho, na pasta "departamento dela", vale a pena tirar de lá.

Para qualquer anatomia: o plug

Seja qual for o seu corpo, um plug oferece algo genuinamente diferente de tudo o mais: uma sensação calma de preenchimento em vez de movimento, que fica no fundo enquanto o resto do sexo segue seu curso. Para algumas pessoas muda pouca coisa; para outras, muda como todo o resto é sentido.

O como — conversar antes, o preparo, ir bem mais devagar do que vocês imaginam — dá um artigo inteiro, então não vamos repetir aqui: leiam nosso guia de estimulação anal para iniciantes.

Duas coisas, porém, não são negociáveis. Tudo o que for usado por via anal precisa ter base alargada ou uma alça de resgate. O reto não tem um ponto de parada natural, e um brinquedo sem base pode subir longe o bastante para só um médico conseguir recuperá-lo. E lubrificante, sempre — o ânus não se lubrifica sozinho.

Para um parceiro com pênis

Duas opções comuns:

  • Sleeves e masturbadores. Os do tipo fleshlight. Eles criam uma pressão envolvente que a mão não consegue imitar de verdade, e entram bem no sexo que vocês já estão tendo, em vez de ficarem como um aparelho solo.
  • Anéis vibratórios. Usados na base do pênis durante o sexo, então a vibração chega nos dois ao mesmo tempo. Vale dizer com todas as letras: esse é um brinquedo compartilhado, não um brinquedo solo. Ninguém fica de fora.

Lubrificante: quando ajuda e quando não é opcional

Usem lubrificante sempre que ele melhorar as coisas — a regra acaba aí. Não é sinal de que algo está errado: excitação e lubrificação natural têm uma relação bem frouxa, e as duas variam com ciclo, estresse, medicação e idade. Para qualquer coisa anal, tratem como obrigatório.

Três pontos fáceis de esquecer:

  • Lubrificante de silicone danifica brinquedos de silicone. A superfície vai ficando pegajosa e porosa. Combine brinquedos de silicone com lubrificante à base de água.
  • Lubrificantes oleosos degradam camisinhas de látex, a ponto de romperem. Se tiver camisinha envolvida, fiquem com base de água ou de silicone.
  • O material importa. Silicone não poroso, vidro e aço inoxidável dá para limpar de verdade. Brinquedos "jelly" baratos e porosos não podem ser completamente desinfetados, por mais que vocês esfreguem.

A parte que mais importa: um brinquedo não é um veredito sobre ninguém

E aqui está a razão de este texto existir.

Só uma minoria das mulheres chega ao orgasmo de forma confiável apenas com penetração vaginal. A maioria precisa de estimulação direta do clitóris, ou prefere isso claramente. Não é raridade, não é sinal de um corpo que não funciona, e não é prova de que o parceiro está fazendo algo errado. É anatomia comum.

Quase tudo o que absorvemos culturalmente diz o contrário. No pornô, a penetração sozinha basta, toda vez, sob encomenda. O roteiro que vem daí é brutal nos dois sentidos: se ela não goza assim, ou ela está quebrada ou ele está falhando. Nenhuma das duas coisas é verdade, e mesmo assim as duas são acreditadas, em silêncio e com frequência.

Então, quando uma parceira diz "eu queria experimentar um brinquedo", isso pode chegar como uma avaliação. Como se estivessem te dizendo, com as palavras mais gentis possíveis, que você não é suficiente. Se você está lendo isso e sentindo alguma versão disso: essa reação faz todo o sentido. É o que te ensinaram a sentir. Só não é o que está acontecendo.

Recorrer a um brinquedo não é boletim escolar. É um passo em direção ao prazer da sua parceira, e ela está te deixando entrar em como o corpo dela funciona de verdade — uma informação que quase ninguém entrega espontaneamente. Prestar atenção no que realmente funciona para alguém é o oposto de ser ruim de cama. É, na prática, a maior parte do que significa ser bom.

E um brinquedo não substitui ninguém. Nada nele compete com mãos, boca, peso, calor ou a sensação de ser desejado. É só mais uma coisa em cima da mesa.

Se falar tudo isso em voz alta parece demais de uma vez, costuma entrar melhor como uma proposta brincalhona do que como uma conversa séria — as cartas do app ForePlay servem, entre outras coisas, para isso.

Limpeza e cuidado depois: a parte que todo mundo pula

Água morna e sabonete neutro depois de cada uso, inclusive naqueles em que vocês mal usaram. Enxaguem bem — resto de sabão irrita — e sequem completamente antes de guardar, porque umidade em gaveta é exatamente o que faz coisas crescerem. Guardem os brinquedos separados, não amontoados; alguns materiais reagem entre si com o tempo. Descartem qualquer um com cortes ou rachaduras: superfície danificada não dá mais para limpar direito.

E nunca passem um brinquedo do uso anal para o vaginal sem lavar bem ou trocar a camisinha que está nele. Esse único hábito evita quase tudo o que pode dar errado aqui.

Depois, o outro tipo de cuidado: guardem tudo juntos, bebam uma água e conversem dois minutos. O que foi gostoso? O que foi mais interessante do que excitante? Repetiriam, ou fariam diferente? Em geral é daí que sai a próxima boa ideia — e se a resposta for "sinceramente, não é pra mim", esse também é um lugar perfeitamente ok de se chegar.